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Dessecação pré-plantio da soja: benefícios, técnicas e melhores práticas

  • Postado por robinson
  • Categorias Agricultura, Agrocursos, Agronegócios, Agronomia, Agropecuária, Home
  • Data 3 de dezembro, 2025
Dessecação pré-plantio da soja: benefícios, técnicas e melhores práticas

A produção de soja depende de uma série de decisões tomadas muito antes da emergência das plantas. Entre essas práticas, a dessecação pré-plantio é uma das etapas mais importantes para garantir que a lavoura comece o ciclo sem competição e com as melhores condições para expressar seu potencial produtivo. Trata-se de um manejo estratégico que prepara o solo, controla plantas daninhas e assegura um ambiente favorável para o estabelecimento inicial da cultura — fase decisiva para todo o desenvolvimento posterior.

Com o avanço das tecnologias de manejo e a necessidade de sistemas produtivos mais eficientes, a dessecação tornou-se um pilar no plantio direto e na condução profissional da lavoura. Quando bem planejada, ela reduz custos, aumenta a eficiência operacional e contribui para ganhos significativos de produtividade.

Neste artigo, você vai entender os benefícios, conhecer as principais técnicas utilizadas no campo e aprender boas práticas para executar uma dessecação pré-plantio realmente eficiente, capaz de transformar o início da safra de soja.

O que é a dessecação pré-plantio da soja?

A dessecação pré-plantio é o processo de eliminação das plantas daninhas presentes na área antes da semeadura da soja. Essa prática é realizada por meio da aplicação de herbicidas seletivos ou não seletivos, com o objetivo de garantir que a cultura inicie seu ciclo sem competição por recursos essenciais como luz, água e nutrientes. Trata-se de uma etapa estratégica do manejo, especialmente em sistemas modernos de produção, onde a eficiência desde o início define grande parte do resultado final da lavoura.

Uma diferença importante dentro desse processo é distinguir dessecação total do manejo de plantas daninhas remanescentes.

  • Dessecação total é realizada quando se deseja eliminar completamente a vegetação existente, formando uma área limpa para o plantio. É comum em áreas com alta infestação, grande diversidade de plantas daninhas ou presença de espécies altamente competitivas.
  • Já o manejo de plantas remanescentes ocorre quando a área já passou por uma dessecação prévia ou quando há baixa pressão de plantas daninhas. Nesse caso, o foco é controlar apenas as espécies que persistiram ou que emergiram entre a dessecação principal e o momento do plantio.

No sistema de plantio direto, a dessecação pré-plantio desempenha um papel ainda mais relevante. Como não há revolvimento do solo, o controle químico é essencial para manter a palhada intacta, reduzir erosão, preservar a umidade e favorecer o acúmulo de matéria orgânica. A dessecação adequada garante que a semeadura ocorra sobre uma superfície estabilizada, com cobertura vegetal uniforme e sem interferências que possam prejudicar a deposição das sementes ou comprometer a emergência inicial da soja.

Assim, a dessecação pré-plantio não é apenas uma etapa complementar, mas sim uma prática fundamental que sustenta a eficiência do plantio direto e contribui para a conservação do solo e a sustentabilidade do sistema produtivo.

Principais objetivos da dessecação pré-plantio

A dessecação pré-plantio da soja tem como finalidade preparar a área para que a cultura inicie seu ciclo com as melhores condições possíveis. É uma etapa estratégica que impacta diretamente no estande inicial, na eficiência das operações e no potencial produtivo da lavoura. A seguir, estão os principais objetivos dessa prática.

1. Eliminação das plantas daninhas antes da semeadura

O primeiro e mais evidente objetivo da dessecação é eliminar as plantas daninhas antes do plantio da soja. Essas espécies competem agressivamente com a cultura e, quando não controladas no momento certo, podem comprometer a emergência, o crescimento inicial e até mesmo a produtividade final. A dessecação cria uma “janela limpa” para que a soja se estabeleça sem interferências.

2. Redução da competição por luz, água e nutrientes

As plantas daninhas são eficientes em capturar recursos do ambiente. Competem por luz, dificultando a fotossíntese da cultura; consumem água que poderia ser utilizada pela soja nos estágios mais críticos; e absorvem nutrientes essenciais do solo, deixando a cultura em desvantagem. A dessecação elimina essa disputa e garante que a soja tenha acesso total aos recursos necessários para seu desenvolvimento inicial.

3. Criação de um ambiente favorável para o estande inicial da soja

Um estande uniforme é fundamental para o bom desempenho da lavoura. A dessecação contribui diretamente para isso ao remover barreiras físicas e biológicas que poderiam prejudicar o posicionamento das sementes e a emergência das plântulas. Sem a presença de plantas daninhas competindo ou atrapalhando o processo, a soja consegue emergir de forma mais homogênea, aumentando o potencial de produtividade da área.

4. Facilitação das operações mecânicas, como semeadura e regulagem de plantadeira

A dessecação pré-plantio também melhora significativamente o desempenho das operações mecanizadas. Em áreas limpas e com vegetação controlada, a plantadeira trabalha com mais precisão, mantendo profundidade, espaçamento e deposição adequados. Isso reduz falhas, melhora a eficiência operacional e diminui o desgaste de equipamentos. Além disso, em sistemas de plantio direto, uma dessecação bem feita preserva a palhada e facilita o corte e a abertura do sulco, garantindo que as sementes sejam posicionadas corretamente.

Benefícios da dessecação pré-plantio

A adoção correta da dessecação pré-plantio traz uma série de vantagens que se refletem desde o estabelecimento inicial da lavoura até o fechamento da safra. Esses benefícios fortalecem a cultura, reduzem custos e ampliam o potencial produtivo. A seguir, veja como cada um desses ganhos impacta o sucesso da soja.

1. Melhora do estande e estabelecimento da lavoura

A dessecação pré-plantio contribui diretamente para um estande forte e bem distribuído — um dos fatores mais importantes para garantir produtividade.

• Emergência mais uniforme

Quando a área está livre de plantas daninhas, a soja encontra um ambiente homogêneo para germinar e se desenvolver. Sem competição inicial, as plântulas emergem ao mesmo tempo, resultando em um estande mais equilibrado e com plantas de tamanho semelhante, o que facilita o manejo ao longo do ciclo.

• Redução de falhas e perdas iniciais

Áreas infestadas podem dificultar a deposição correta das sementes ou até prejudicar o processo de emergência. Com a dessecação bem executada, a plantadeira trabalha com mais precisão, reduzindo falhas no sulco e prevenindo perdas ainda na fase inicial — uma etapa em que qualquer falha se reflete diretamente no rendimento final.

2. Controle mais eficiente de plantas daninhas

O controle de plantas daninhas é um dos pilares do manejo da soja, e a dessecação pré-plantio tem papel decisivo nessa estratégia.

• Redução da pressão inicial da área

Ao eliminar as plantas daninhas antes do plantio, a cultura inicia seu ciclo com vantagem competitiva. Isso reduz a necessidade de ações emergenciais logo após a semeadura e diminui o impacto de espécies agressivas, como buva, capim-amargoso e capim-pé-de-galinha.

• Menor risco de reinfestação precoce

Uma dessecação bem planejada estende os efeitos do controle para as primeiras semanas após a emergência, período crítico para a soja. Com menos plantas competindo desde o início, a cultura consegue se estabelecer melhor, reduzindo a entrada de luz no solo e dificultando novas germinações.

3. Aumento da produtividade

O benefício mais esperado — e perceptível — é o impacto direto no rendimento da lavoura.

• Redução da competição nas fases críticas da cultura

A soja tem períodos sensíveis, como a emergência, o desenvolvimento vegetativo inicial e o florescimento. Se nesses momentos houver competição por recursos, o potencial produtivo será comprometido. A dessecação garante que a cultura cresça sem interferências nas fases mais decisivas.

• Benefícios diretos para o potencial produtivo

Com plantas mais vigorosas, estande uniforme, melhor aproveitamento de luz e maior disponibilidade de nutrientes e água, a lavoura tende a atingir patamares superiores de produtividade. Uma base bem manejada já representa boa parte do resultado final.

4. Economia no manejo ao longo do ciclo

Além dos ganhos agronômicos, a dessecação pré-plantio também proporciona vantagens econômicas.

• Menor necessidade de aplicações pós-emergência

Um controle eficiente na largada diminui a pressão de plantas daninhas durante o restante do ciclo, reduzindo o número de intervenções com herbicidas e operações mecânicas.

• Maior eficiência no uso de herbicidas

Ao atuar em plantas que ainda estão pequenas e vulneráveis, a dessecação permite que os herbicidas sejam utilizados em condições ideais, aumentando a eficácia e diminuindo desperdícios. Isso representa economia direta para o produtor e um manejo mais sustentável.

Principais técnicas de dessecação pré-plantio

A escolha da técnica de dessecação influencia diretamente o sucesso do manejo e a eficiência da implantação da lavoura de soja. Cada estratégia apresenta características específicas e pode ser indicada conforme o histórico da área, a pressão de plantas daninhas e a época de plantio. A seguir, veja as três principais abordagens utilizadas no campo.

1. Dessecação antecipada

A dessecação antecipada é realizada com maior antecedência em relação ao plantio — geralmente de 20 a 30 dias antes da semeadura.

• Explicação do conceito

Nessa técnica, a vegetação existente é eliminada de forma antecipada, permitindo que o produtor tenha tempo para avaliar o resultado da aplicação e realizar ajustes, se necessário. A área permanece em repouso, formando uma camada de palhada que favorece o plantio direto.

• Vantagens e limitações

Vantagens:

  • Maior segurança no controle de plantas daninhas perenes ou já desenvolvidas.
  • Redução da matocompetição ainda antes do início do ciclo da soja.
  • Possibilidade de identificar falhas na dessecação e realizar reaplicações.
  • Formação de palhada mais bem estruturada para o sistema de plantio direto.

Limitações:

  • Pode ocorrer emergência de novas plantas daninhas entre a dessecação e o plantio.
  • Exige boa previsibilidade climática para não perder o momento ideal de aplicação.
  • Em regiões muito quentes e úmidas, o intervalo grande pode favorecer rebrote.

• Quando utilizar

A dessecação antecipada é indicada em áreas com alta infestação de plantas daninhas perenes, em ambientes onde há tempo hábil entre a dessecação e o plantio e em situações em que o objetivo é formar uma boa base de palhada. Também é recomendada quando há risco de atraso no plantio, pois mantém a área sob melhor controle.

2. Dessecação imediata pré-plantio (DIP)

A DIP ocorre quando a aplicação é feita poucos dias antes da semeadura, normalmente entre 3 e 7 dias.

• Aplicações próximas à semeadura

O objetivo é eliminar plantas daninhas mais jovens ou rebrotas que tenham surgido após uma dessecação anterior. Essa técnica garante que, no momento da semeadura, a área esteja limpa e sem competição, favorecendo a emergência inicial da soja.

• Riscos de fitotoxicidade

Como a aplicação é muito próxima ao plantio, existem riscos de fitotoxicidade dependendo dos herbicidas utilizados, principalmente em produtos com efeito residual. É essencial respeitar o período de intervalo entre a dessecação e a semeadura para evitar danos às plântulas.

• Manejo no sistema plantio direto

No plantio direto, a DIP é amplamente utilizada para ajustar o manejo da palhada e controlar escapes de plantas daninhas. Ela assegura que o posicionamento da semente ocorre em um ambiente limpo, sem interferências físicas ou biológicas.

3. Dupla dessecação (antecipada + pré-plantio)

A dupla dessecação combina uma aplicação antecipada com uma aplicação adicional próxima ao plantio.

• Quando é indicada

Esse método é indicado em áreas com alta pressão de plantas daninhas, em especial espécies resistentes ou de difícil controle. Também é recomendado em talhões onde há alta diversidade de plantas remanescentes e grande volume de rebrote após a primeira dessecação.

• Maior eficiência em áreas de alta infestação

A combinação das duas etapas garante maior cobertura e eficiência no controle. A dessecação antecipada reduz o “grosso” da vegetação, enquanto a aplicação pré-plantio elimina plantas recém-emergidas e eventuais escapes, criando uma área totalmente limpa para o plantio.

• Integração com MIP e MIPD

A dupla dessecação se alinha bem às estratégias de Manejo Integrado de Plantas Daninhas (MIPD) e ao Manejo Integrado de Pragas (MIP).

  • No MIPD, porque permite atuar sobre diferentes estágios das plantas daninhas e quebrar ciclos de resistência.
  • No MIP, porque a redução da vegetação voluntária diminui também a presença de hospedeiros alternativos para pragas.

Principais herbicidas usados na dessecação

A escolha correta dos herbicidas é um dos fatores mais importantes para garantir uma dessecação eficiente e segura. Cada grupo possui mecanismos de ação específicos, espectros de controle diferentes e cuidados particulares de manejo. Entender essas diferenças ajuda a evitar falhas, reduzir riscos de resistência e garantir um estabelecimento limpo para a soja.

1. Inibidores do fotossistema II

Os inibidores do Fotossistema II atuam bloqueando a fotossíntese das plantas daninhas, impedindo que elas transformem energia luminosa em energia química. São herbicidas de ação relativamente rápida e muito eficazes em condições de alta luminosidade.

Características principais:

  • Funcionam bem em plantas pequenas e em plena atividade metabólica.
  • Geralmente possuem efeito de contato, limitando a translocação para estruturas subterrâneas.
  • Comuns em misturas para ampliar o espectro de controle.

Exemplos comuns: diuron, tebuthiuron, metribuzin (este último também muito usado em pré-emergência da soja).

2. Inibidores da EPSPs

Os inibidores da EPSPs, como o glifosato, são amplamente utilizados na dessecação pré-plantio devido à sua ação sistêmica, permitindo controlar tanto parte aérea quanto estruturas subterrâneas.

Características principais:

  • Excelente eficácia em plantas daninhas adultas e perenes.
  • Alcançam raízes e rizomas, reduzindo rebotes.
  • Não possuem efeito residual expressivo, o que reduz risco de fitotoxicidade na soja (dependendo da formulação e do intervalo de aplicação).

Importância no manejo:
O glifosato é a base da maioria das dessecações no sistema de plantio direto, mas seu uso contínuo elevou os casos de resistência, principalmente em buva, capim-amargoso e capim-pé-de-galinha.

3. Inibidores da ACCase (em infestação de gramíneas)

Os inibidores da ACCase são essenciais quando a área apresenta alta infestação de gramíneas anuais ou perenes, como capim-amargoso, capim-colchão e capim-pé-de-galinha.

Características principais:

  • Altamente seletivos para gramíneas, sem efeito sobre dicotiledôneas.
  • São sistêmicos e muito efetivos em plantas jovens e em pleno crescimento.
  • Cruciais no manejo de áreas com resistência ao glifosato.

Observação prática:
Esses herbicidas exigem boa condição de absorção, como folhas limpas, clima ameno e ausência de estresse hídrico.

4. Considerações sobre seletividade e espectro de ação

A escolha do herbicida deve considerar:

  • Seletividade: evitar produtos com potencial de causar fitotoxicidade na soja, principalmente quando a aplicação é próxima do plantio.
  • Espectro de ação: combinar mecanismos para controlar tanto dicotiledôneas quanto gramíneas.
  • Estágio das plantas daninhas: plantas jovens respondem melhor a herbicidas; plantas estressadas ou adultas exigem produtos sistêmicos ou misturas.
  • Condições climáticas: temperatura, umidade relativa e luminosidade influenciam muito a eficiência da dessecação.

Por isso, o uso de misturas prontas ou recomendadas por engenharia agronômica é comum, ampliando o controle e diminuindo riscos de falhas.

5. Riscos de resistência e importância da rotação de mecanismos

A resistência de plantas daninhas a herbicidas é um dos principais desafios da agricultura moderna, especialmente no cultivo de soja. A repetição contínua de um mesmo mecanismo de ação — como ocorreu com o glifosato — favorece a seleção de biótipos resistentes.

Para reduzir esse risco, é fundamental:

  • Alternar mecanismos de ação entre as safras.
  • Utilizar misturas de herbicidas com mecanismos complementares.
  • Monitorar a área para identificar escapes e realizar aplicações corretivas.
  • Integrar o manejo químico com práticas culturais, como rotação de culturas e uso adequado de palhada.

A rotação de mecanismos e a diversificação das estratégias garantem maior eficiência no controle e prolongam a vida útil dos herbicidas disponíveis no mercado.

Boas práticas para uma dessecação eficiente

Para que a dessecação pré-plantio da soja alcance seu máximo potencial, não basta escolher os herbicidas corretos — é preciso executar o manejo com atenção aos detalhes. Boas práticas garantem maior eficiência das aplicações, reduzem custos e evitam problemas como falhas no controle, rebrota e fitotoxicidade na cultura.

1. Identificação correta das plantas daninhas

O sucesso da dessecação começa com o diagnóstico preciso da área.

• Monitoramento prévio da área

Antes de qualquer aplicação, é fundamental caminhar pelo talhão e observar quais espécies estão presentes. Essa avaliação permite definir o melhor herbicida, o momento ideal e a necessidade ou não de misturas.

• Nível de infestação e estágios fenológicos

Plantas daninhas jovens respondem melhor aos herbicidas. Já plantas adultas ou perenizadas exigem produtos sistêmicos ou estratégias complementares. Entender o estágio fenológico das espécies garante maior precisão no manejo.

2. Condições climáticas ideais

O clima desempenha papel determinante na eficiência da dessecação.

• Umidade relativa

Umidade elevada (acima de 60%) favorece a absorção dos herbicidas, especialmente os sistêmicos. Em contrapartida, condições muito secas reduzem a efetividade da calda.

• Temperatura

Temperaturas moderadas, entre 20°C e 30°C, são ideais. Em dias muito quentes, a volatilização aumenta; em dias frios, o metabolismo das plantas diminui, reduzindo a absorção.

• Vento e risco de deriva

Velocidades de vento acima de 10 km/h elevam o risco de deriva, que pode causar perdas de produto e atingir áreas sensíveis. O ideal é aplicar nas primeiras horas da manhã ou no fim da tarde.

3. Regulagem correta do pulverizador

O pulverizador deve estar ajustado de acordo com o tipo de herbicida e o tamanho das plantas alvo.

• Tamanho de gotas

Gotas médias a grossas aumentam a cobertura e reduzem a deriva. Para herbicidas sistêmicos como o glifosato, gotas maiores são mais recomendadas.

• Pressão de trabalho

Pressões muito altas aumentam o risco de formação de gotas finas e deriva. O operador deve seguir as recomendações do fabricante e garantir que os bicos estejam em boas condições.

• Volume de aplicação

Volumes entre 100 e 150 L/ha são comuns na dessecação, mas podem variar conforme espécie, densidade da vegetação e tipo de herbicida. Boa cobertura é essencial para produtos de contato.

4. Qualidade da calda

A eficiência da aplicação depende diretamente da qualidade da mistura utilizada.

• Uso de adjuvantes

Adjuvantes como óleos, surfactantes ou antiderivas podem aumentar a absorção, melhorar a aderência e reduzir perdas. A escolha deve ser técnica, seguindo recomendações agronômicas.

• Correção de pH

Alguns herbicidas, como o glifosato, têm desempenho superior em pH ácido. Ajustar o pH da calda evita reações indesejadas e melhora o desempenho do produto.

• Misturas compatíveis

Misturas inadequadas podem causar precipitação, entupimento de bicos e perda de eficiência. Sempre é necessário verificar compatibilidade físico-química entre os herbicidas e adjuvantes utilizados.

5. Intervalo entre a dessecação e o plantio

O momento correto entre aplicação e semeadura é decisivo para evitar problemas posteriores.

• Tempos recomendados conforme tipo de herbicida

  • Glifosato e outros sistêmicos: 5 a 7 dias antes do plantio.
  • Herbicidas de contato (ex.: inibidores do FSII): 3 a 5 dias.
  • Produtos com efeito residual: exigir intervalos maiores para evitar fitotoxicidade, conforme recomendação técnica.

• Riscos de falhas na dessecação e rebrota de plantas

Plantio muito precoce após a dessecação pode impedir que os herbicidas tenham tempo suficiente para agir, resultando em controle parcial e riscos de rebrota. Além disso, sem o intervalo adequado, a soja pode sofrer danos devido à presença de resíduos ativos no solo.

Erros comuns e como evitá-los

Mesmo sendo uma prática consolidada no manejo da soja, a dessecação pré-plantio ainda sofre com falhas que comprometem o controle de plantas daninhas, o estande da lavoura e, consequentemente, a produtividade. A seguir, veja os erros mais frequentes e como preveni-los.

1. Dessecar plantas fora do estágio ideal

Um dos equívocos mais comuns é realizar a aplicação quando as plantas daninhas já estão muito desenvolvidas ou, ao contrário, ainda muito pequenas.
Plantas adultas apresentam maior massa foliar e sistema radicular mais robusto, exigindo doses maiores, podendo reduzir a eficiência dos herbicidas. Já plantas muito jovens podem ser menos sensíveis em alguns casos.

Como evitar:

  • Monitorar a área antes da aplicação.
  • Conhecer o estágio ideal de controle para cada espécie alvo.
  • Planejar a dessecação com antecedência, evitando atrasos que levem as plantas a estágios avançados.

2. Pulverizar em condições climáticas desfavoráveis

Clima inadequado reduz o desempenho dos herbicidas e aumenta perdas por deriva ou evaporação. Temperaturas elevadas, baixa umidade e ventos acima do recomendado podem comprometer completamente a dessecação.

Como evitar:

  • Realizar aplicações com umidade relativa acima de 55%.
  • Preferir horários mais frescos do dia, como início da manhã ou fim da tarde.
  • Evitar ventos fortes e temperaturas acima de 30 °C.

3. Não considerar plantas daninhas tolerantes ou resistentes

O aumento da resistência a herbicidas, especialmente ao glifosato, torna o manejo mais complexo. Ignorar esse fator leva a aplicações ineficientes e reinfestações rápidas.

Como evitar:

  • Identificar corretamente espécies resistentes presentes na área.
  • Rotacionar mecanismos de ação.
  • Utilizar misturas recomendadas por especialistas ou programas de manejo integrado.

4. Aplicações com volume inadequado

Volumes muito baixos reduzem a cobertura das folhas; volumes muito altos podem resultar em escorrimento e perda de produto. Em ambos os casos, a eficiência cai.

Como evitar:

  • Seguir recomendações técnicas do rótulo do herbicida.
  • Ajustar o volume de acordo com o tipo de bico, pressão e condição da área.
  • Fazer testes simples de padrão de distribuição antes de iniciar a operação.

5. Falhas na calibração do pulverizador

Erro de calibração é responsável por grande parte das aplicações mal-sucedidas. Desuniformidade na vazão, pressão inadequada ou desgaste de bicos são problemas frequentes.

Como evitar:

  • Realizar calibrações periódicas, especialmente antes da safra.
  • Conferir desgaste dos bicos e substituir os danificados.
  • Ajustar pressão e velocidade do trator conforme o alvo e o volume desejado.

Conclusão

A dessecação pré-plantio da soja é um passo fundamental para garantir um início de ciclo saudável, competitivo e produtivo. Quando realizada com planejamento, conhecimento técnico e atenção às boas práticas, ela permite um estande mais uniforme, reduz a pressão inicial de plantas daninhas, aumenta o potencial produtivo e otimiza o manejo ao longo de toda a safra. Cada detalhe — desde a escolha do herbicida até a regulagem do pulverizador — influencia diretamente o sucesso da lavoura.

Agradeço a você que acompanhou este artigo até o final. Seu interesse em compreender melhor as técnicas e práticas do campo mostra o quanto o setor agropecuário tem atraído profissionais dedicados e preparados para evoluir constantemente.

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Até a próxima.

 

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